14 de ago de 2008

OUTRA NOITE SEM LUA

O mar agitado, a mente também. Espaços preenchidos pela emoção da menina que inundada de volúpia, estremecia a areia que a cercava. Já passavam das três da manhã, as nuvens escondiam as estrelas e a Lua extinta por elas, fazia do céu apagado, um teto negro e triste. Batiam nas pedras riscadas, ondas ríspidas e as mesmas inspiravam um movimento brusco da menina junto a um murmúrio seco, que calou rápido. Ventava muito, mas o frio estava esquecido, a mente devidamente aquecida com as lembranças de um verão inteiro, fazia da menina um objeto vivo de execução e os olhos só não estavam arregalados, saltando das órbitas, porque a areia que voava sem controle não permitia. Não era sua fase terminal, voltaria até a praia muitas noites depois daquela e seria igual a todas as anteriores. Ela sabia que a areia, o mar e o céu seriam seus únicos cúmplices e testemunhas. Não era possível viver ali, ninguém apareceria para ajudá-la se caso precisasse de ajuda. Era bom. Um cemitério deserto onde a sua carcaça seria única e a maré alta ou baixa sua eterna companhia. Esticou-se como um elástico e deixando cair os membros superiores na areia branca da praia, encolheu novamente as pernas despidas, abraçando-as com força. Inclinou o corpo para o lado esquerdo, e o vento passou a bater na nuca, deixando seus olhos livres da poeira. Viu de longe o que poderia ser um homem usando um chapéu desmedido, azul anil. Lembrou-se vagamente de um rosto familiar, pareceu-lhe uma expressão já conhecida, querida, amada. Não era ninguém. A atmosfera opressiva e seu efeito sufocante deram-lhe miragens e vozes. Ela sabia que era desvario, mas não podia controlar as vertigens, não queria controlar, era por isso que estava ali. O efeito não demoraria a passar. A dose daquela noite, não havia sido das mais exageradas. Quando as trevas se dissipassem e o pôr do sol viesse em meio a nuvens de uma manhã nebulosa, aquela madrugada sufocante seria apenas mais uma e os prazeres sentidos, apagados completamente para viver um novo dia comum. Conturbado, exagerado, comum. Acordou com fios de cabelo na face, areia por todo corpo e algumas manchas de sangue na manga desabotoada. Respirou fundo, olhou o horizonte e pensou mais de duas vezes em despir-se totalmente e mergulhar naquelas águas cinzas. Desistiu da idéia, vestiu a calça jeans úmida, calçou o tênis surrado depois de tirar-lhe toda areia de dentro e foi se levantando devagar. Estava já de pé, mas parecia estar entre um colchão de espinhos. As costas doiam-lhe intensamente e os olhos ardiam em brasa. Deu dois passos, recolheu alguns objetos que caíram da bolsa quando se virou outrora e os colocando dentro da mesma, viu atrás de si o mar desvanecer. Estava viva. Mas outra vez um pedaço da sua juventude ficou na praia, boiando nas ondas de sal, morta e completamente esquecida.

11 comentários:

l'esprit fabuleux disse...

como você escreve bem, eu fico boba lendo seu blog *-*

e podeixar que eu conto tudo depois :D

te amo ;@

instantes e momentos disse...

gosto de visitar teu blog. Sempre muito bom. Belo post.
Maurizio

Fabio Bittar disse...

Muito bom! Infelizmente, estou todo enrolado aqui, então farei deste um comentário breve, mas não menos elogioso que o merecido.

Você tem um talento especial.

Beijos.

dhdotur disse...

nossa... me bateu uma solidão lendo isso.


E q saco... odeio esse povo pagando pau pro povo que escreve em blog
AUHAHUAHUAAHUHUAAHUHUAAHUHAUAHUHUAHUAHUAAHUAHAUAHUAHAU

bjo bb... e a recíproca é verdadeira

Idylla disse...

Q história alucinante e ao mesmo tempo louca....coitada dessa menina!!!!!!viver na solidão é a pior coisa q tem, e ela meio q vive na solidão e meio q vive do passado de lembranças...
ameiiii seu texto!

bj

Fernanda Manzatto disse...

PASMEI! :O
vc escreve muito! (:
parabéns! o/
lindo lindo lindo o/
bjo :@@

Mary West disse...

Que texto fascinante garota. Imaginei a lua, o frio gostoso que deve fazer neste horário. Mas acho que solidão é algo que colocam na nossa cabeça, naum sei se eu sou positiva demias, mas quando estou assim prefiro imaginar em um momento de auto conhecimento. ;)

Kenny disse...

Uau *-* muito bom³ mesmo
Li duas veses XD

Kenny disse...

Respondendo seu comentário: sim, sou eu ^^ recém fiz esse blog, porque o outro era muito ruim 9:
Adoro seu blog :*

Jéssica disse...

Que forte. Lindo e forte.
Essa juventude tão esperada, tão cobiçada, sendo desperdiçada.

Gostei demais!

Maldito disse...

Putz! Muito Excelente a sua veborragia,...um jeitinho de escrever todo especial,...
Parabens pelo blog!

Me sinto obrigado a retornar!

Inté!